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Obesidade  

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a obesidade como uma doença que o excesso de gordura corporal acumulada no organismo pode atingir graus capazes de afetar a saúde. O excesso de gordura resulta de sucessivos balanços energéticos positivos, em que a quantidade de energia ingerida é superior à quantidade de energia despendida. A obesidade é uma doença com génese multifatorial, já que para além de fatores ambientais, metabólicos e genéticos, estão envolvidos uma complexa interação de variáveis que incluem influências culturais, psicológicas e comportamentais. Esta doença crónica, além de provocar uma diminuição da qualidade de vida, deve ser controlada pois é um fator de risco para o desenvolvimento e agravamento de doenças tais como, a diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, alguns tipos de cancro, etc. Verifica-se que a perda intencional de perda de peso, se mantida a longo prazo, manifesta-se numa melhoria da qualidade de vida, na redução da mortalidade e na melhoria das doenças crónicas associadas, especialmente para a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e cancro. Existem diferentes métodos e técnicas para estimar o peso corporal, no entanto, as medidas antropométricas, devido à sua simplicidade e rapidez de obtenção e baixo custo, são os métodos mais utilizados.

src=Índice de Massa Corporal (IMC) é um índice usado para a classificação do peso corporal em adultos, que relaciona o peso com a altura. A fórmula deste índice é definida pelo peso do indivíduo (em kilogramas) dividido pelo quadrado da sua altura (em metros). IMC= peso (kg) /altura (m)×altura (m)
 A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a obesidade de acordo com os seguintes critérios:

Classificação IMC (kg/m2)
Baixo Peso ≤ 18,5
Peso normal 18,5 a 24,9
Pré-obesidade 25 a 29,9
Obesidade grau 1 30 a 34,9
Obesidade grau 2 35 a 39,9
Obesidade grau 3 ≥ 40

O IMC é uma medida útil para avaliar a pré-obesidade e obesidade, uma vez que é utilizada para ambos os sexos e para todas as idades nos adultos. No entanto, deve ser considerado um guia, não nos indica a percentagem de gordura corporal, já que dois indivíduos com o mesmo IMC poderão ter percentagens de gordura corporal completamente diferentes, como é o caso dos atletas por exemplo.Na criança e no adolescente, com velocidades de crescimento que registam, em ambos os sexos, uma enorme variabilidade inter e intra-individual, ainda não é possível utilizar as pontes de corte acima descritos, sendo o valor de IMC em crianças percentilado, com base em tabelas de referência.

Outro método utilizado para estimar o peso corporal é a medição da Circunferência da Cintura. A distribuição da gordura corporal é importante no doente obeso. No homem normalmente, a gordura corporal acumula-se na zona abdominal ou visceral, denominando-se obesidade andróide. A mulher acumula com mais frequência a gordura corporal na zona glútea e coxas, denominando-se obesidade ginóide. Estudos indicam que a obesidade visceral está associada acomplicações metabólicas, como a diabetes tipo 2 e a dislipidemia e doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial, a doença coronária e a doença vascular cerebral. O perímetro da cintura permite classificar dois níveis de risco de complicações associadas à obesidade. Ou seja, é indicador de risco muito aumentado e requer intervenção médica, caso se apresente:       

a) um perímetro da cintura ≥ 88 cm na mulher;       

b) um perímetro da cintura ≥ 102 cm no homem. 

Prevenção da obesidade

O controlo da ingestão e do gasto energético são a base para a manutenção de um peso corporal saudável ao longo da vida e requer mudanças no estilo de vida, nomeadamente no que concerne à redução da quantidade de calorias consumidas na forma de alimentos e bebidas e do aumento da atividade física.
A nível individual, de forma a prevenir o aumento do peso corporal deve-se:
- Reduzir a energia ingerida proveniente do consumo de alimentos ricos em gordura.
- Aumentar a ingestão de frutas e vegetais, cereais e derivados integrais e frutos secos.
- Limitar o consumo de alimentos ricos em açúcares simples.
- Realização de atividade física regular.
- Controlar o seu peso através do balanço energético adequado. 

Fontes:
- Escott-Stump S, Kathleen Mahan L. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. Saunders Elsevier; 2008; 12ªedição. - WHO. Physical status: the use and interpretation of anthropometry. Report of a WHO Expert Committee. WHO Technical Report Series 854. Geneva: World Health Organization, 1995. - WHO. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO Consultation. WHO Technical Report Series 894. Geneva: World Health Organization, 2000.